PGD/PGS – Diagnóstico Genético Pré Implantacional

Dados recentes mostram que 50-70% dos abortamentos se devem à utilização de embriões com alterações cromossômicas, ou aneuploidias. Ao mesmo tempo, sabemos que a incidência de aneuploidias embrionárias aumenta exponencialmente com a idade dos pais. Por isso, a identificação de embriões portadores de aneuploidias é hoje tão importante num cenário em que cada vez mais mulheres com idade avançada buscam a fertilização in vitro (FIV).

Atualmente um foco muito importante da reprodução humana assistida é a busca por tecnologias que permitam identificar os embriões com maior potencial de implantação, tendo a transferência de um único embrião como objetivo principal. Essa seleção não deve depender apenas da avaliação do embrião sob o microscópio – o que seria essencialmente julgar o livro pela sua capa.

O rastreamento genético pré-implantacional, ou PGS (preimplantation genetic screening) é o processo que permite identificar os embriões com alto potencial de implantação através da análise do DNA embrionário antes da transferência. Esse procedimento de análise genética possui taxa de sucesso aumentada quando feito de maneira abrangente, ou seja, analisando o máximo possível de regiões do DNA. Sendo assim, o rastreamento cromossômico abrangente é uma das maneiras encontradas para melhorar a avaliação embrionária.

O Sequenciamento de Nova Geração (next generation sequencing, ou NGS) é a mais atual tecnologia utilizada para o PGS. Com essa tecnologia é possível identificar malformações cromossômicas embrionárias (aneuploidias) em todos os 24 cromossomos (22 autossômicos e os sexuais, X e Y). A análise do DNA do embrião é abrangente: todos os cromossomos são investigados de uma única vez.

Para a detecção de aneuploidias, os dados obtidos para o genoma do embrião são comparados com amostras consideradas normais, ou euploides. Tal análise é quantitativa, de maneira que é possível identificar as regiões do genoma embrionário que possuem um número alterado de cópias cromossômicas, seja o número para mais (duplicações) ou para menos (deleções).

O uso do NGS é capaz de melhorar a eficácia e segurança de um ciclo de FIV. Com o aumento da eficácia na implantação, é possível reduzir o número de embriões transferidos: a possibilidade de transferência de um único embrião passa a ser real. Dessa maneira, a taxa de gravidezes gemelares é reduzida drasticamente, juntamente com as complicações da gravidez e do parto gemelar.

O PGS é, então, uma ferramenta extremamente útil para o aumento da taxa de sucesso de ciclos de FIV. Os pacientes que podem mais se beneficiar do uso dessa tecnologia são mulheres com mais de 38 anos de idade, mulheres com abortamento recorrente, casais com concepção prévia com alteração cromossômica e casais com mais de 3 falhas de FIV.

Além do PGS, que é uma técnica bastante abrangente, é possível também utilizar o NGS para análises mais focadas. O diagnóstico genético pré-implantacional, ou PGD (preimplantation genetic diagnosis) é a maneira de fazer tais análises genéticas mais focadas em determinadas regiões do DNA.

Essa abordagem é especialmente útil em famílias com histórico de doenças genéticas conhecidas, como fibrose cística e distrofia muscular, ou qualquer outra doença mendeliana cuja causa genética é conhecida. Desde que se saiba qual é o gene ou grupo de genes envolvidos com a doença, é possível fazer a análise dos embriões como esforço para melhorar resultados reprodutivos em pacientes com mal prognóstico. Dessa maneira, a avaliação embrionária para investigação de uma doença genética específica é feita antes de o embrião ser colocado no útero, com o objetivo de selecionar apenas aqueles que não possuem genes mutados.

1- Aneuploidia cromossômica
A aneuploidia cromossômica se refere a uma anormalidade numérica nos cromossomos nas células do embrião. Embriões normais devem herdar uma cópia de cada um dos cromossomos de ambos os pais e desta forma teriam duas cópias de cada cromossomo. Ocasionalmente, anormalidades cromossômicas aparecem devido a erros que ocorrem durante a divisão celular. Este tipo de erro é mais frequente a medida que a idade da mulher aumenta, sendo uma das razões do declínio do potencial reprodutivo.

2- Translocações cromossômicas
As desordens de gene único são condições genéticas causadas por alteração ou mutação de um gene específico localizado em um cromossomo. As desordens de gene único são hereditárias. Pessoas que são afetadas por uma destas desordens, ou que tenham história familiar, podem ter um risco de passar esta condição para seus filhos. Exemplos de algumas destas condições: fibrose cística, anemia falciforme, anemia de Fanconi, atrofia muscular espinhal, doença de Tay-Sachs e síndrome do X frágil. Mesmo doenças raras podem ser avaliadas por esta tecnologia, quando o gene causador é conhecido. Tais doenças podem ser detectadas no embrião através do diagnóstico genético pré-implantacional, ou PGD.

3- Desordens de gene único
A técnica de PGS uma vertente do PGD. Entretanto, no PGS não sabemos o que estamos procurando especificamente. Neste caso, algumas células (5 a 10) do embrião são removidas e uma avaliação abrangente é realizada para que possamos verificar qual embrião apresenta ou não malformação cromossômica e em qual cromossomo. Com isso, podemos selecionar o embrião sem tais alterações e proporcionar uma transferência com maior potencial de implantação.

O PGD e o PGS são possíveis devido aos avanços na Fertilização In vitro. Os óvulos são fertilizados com os espermatozoides do parceiro, frequentemente utilizando a injeção intra-citoplasmática de espermatozoide. Uma vez que o embrião atinja 6-8 células (3º dia de desenvolvimento embrionário), uma abertura é realizada na Zona Pelúcida chamada de assisted hatching, sendo o embrião recolocado em cultura até o quinto dia de desenvolvimento. Esta abertura irá proporcionar um ponto inicial para que uma hérnia se forme. Em geral, no quinto dia de desenvolvimento (ou estágio de blastocisto) é realizada a biópsia embrionária, na qual a hérnia formada é identificada e cerca de 5 a 10 células são retiradas do embrião e enviadas para análise. Neste caso o embrião retorna para incubadora para posterior criopreservação e transferência no ciclo seguinte. Em alguns casos é possível a transferência a fresco no sexto dia de desenvolvimento dependendo da qualidade embrionária.